uma oração(*)
que, Deus, me tomes pelo antebraço na fronteira hora
e Tua horda de medusas e ciclopes e texugos
a minha casa aporte sem demora
que em silêncio amanuense este eu sôfrego Te aguarde
depois de ir-me da cama ao pátio, no sexto piso
depois de ir-me à flor do carpete amanhecido
depois de ir-me à feira, na outra esquina
guardar a tília nas mãos calosas dos meus irmãos
sem demora chega com Tuas tropas de Unamunos
Teu cemitério de paliçadas
Tuas palavras do tamanho do mundo
e que a água, da qual eu vim, que me embebeu, que em mim lambeu
célula a célula, volte a Teus dentros, Deus
que ao ser tomado pelo antebraço,
macilento antebraço de Lázaro,
juro ser franco, e rude
e a Ti ignore uma vez mais,
antes da lua final neste jardim,
onde todos os meus brinquedos enterraste
(*) inédito, Marco de Menezes, in "Anel postiço em merengue", Caxias do Sul, 2006.
2 Comments:
ah, marcolino.
tu e as tuas "Tuas palavras do tamanho do mundo".
das tuas extrações eruditas, ainda tenho de me inteirar, desse teu cavar a palavra que brota da terra, do céu, ou de algum lugar em que gente como a gente pensa em habitar um dia, por instantes quiçá.
tá bonito à beça, seu doutor.
meu beijo e meu carinho.
:-*
só eu visito isso aqui?
blógue particular?
:-*
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