Wednesday, June 21, 2006

uma oração(*)


que, Deus, me tomes pelo antebraço na fronteira hora
e Tua horda de medusas e ciclopes e texugos

a minha casa aporte sem demora


que em silêncio amanuense este eu sôfrego Te aguarde

depois de ir-me da cama ao pátio, no sexto piso

depois de ir-me à flor do carpete amanhecido
depois de ir-me à feira, na outra esquina
guardar a tília nas mãos calosas dos meus irmãos


sem demora chega
com Tuas tropas de Unamunos
Teu cemitério de paliçadas

Tuas palavras do tamanho do mundo


e que a água, da qual eu vim, que me embebeu, que em mim lambeu

célula a célula, volte a Teus dentros, Deus


que ao ser tomado pelo antebraço,

macilento antebraço de Lázaro,

juro ser franco, e rude

e a Ti ignore uma vez mais,

antes da lua final neste jardim,

onde todos os meus brinquedos enterraste


(*) inédito, Marco de Menezes, in "Anel postiço em merengue", Caxias do Sul, 2006.

2 Comments:

Blogger camilacor said...

ah, marcolino.

tu e as tuas "Tuas palavras do tamanho do mundo".

das tuas extrações eruditas, ainda tenho de me inteirar, desse teu cavar a palavra que brota da terra, do céu, ou de algum lugar em que gente como a gente pensa em habitar um dia, por instantes quiçá.

tá bonito à beça, seu doutor.

meu beijo e meu carinho.

:-*

12:37 PM  
Blogger camilacor said...

só eu visito isso aqui?
blógue particular?
:-*

12:49 AM  

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