Saturday, October 28, 2006

poema para Camila e Beto, e Odegar de contrabando





mútuo-socorro*


Nos começos, o menino

via um demônio no teto bege,

de pé direito altíssimo,

da casa do avô.

Jovem,

achava o seu demônio

- já caído do teto –

oculto em outras pessoas,

entre ofendido e emancipado,

só dado a ver-se em algum esgar,

no vão entre as sobrancelhas,

no modo de tocar um copo

ou a haste de um gladíolo.

Quando velho,

entre o leito e a pia,

convivia já tranqüilamente com seu demônio

e este, sóbrio, terno e gravata,

aquecia-lhe os pés

e entornava-lhe o chá

das esperanças desaprendidas.



(*) in Pés de Aragem, Marco de Menezes, 2006.

1 Comments:

Blogger Mugnolini said...

2006, loco???

posta coisa nova!
:)

8:38 AM  

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