poema para Camila e Beto, e Odegar de contrabando

mútuo-socorro*
Nos começos, o menino
via um demônio no teto bege,
de pé direito altíssimo,
da casa do avô.
Jovem,
achava o seu demônio
- já caído do teto –
oculto em outras pessoas,
entre ofendido e emancipado,
só dado a ver-se em algum esgar,
no vão entre as sobrancelhas,
no modo de tocar um copo
ou a haste de um gladíolo.
Quando velho,
entre o leito e a pia,
convivia já tranqüilamente com seu demônio
e este, sóbrio, terno e gravata,
aquecia-lhe os pés
e entornava-lhe o chá
das esperanças desaprendidas.
(*) in Pés de Aragem, Marco de Menezes, 2006.
1 Comments:
2006, loco???
posta coisa nova!
:)
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